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Cidadãos europeus: plano B, C e D (d' A Vida na Terra)

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 28.06.15

E de repente perdemos o pé e toda a realidade que nos era familiar surge-nos agora completamente alterada. Vivíamos na ilusão de uma certa previsibilidade. Digo ilusão, porque a incerteza tornou-se a norma na Europa: "os mercados estão nervosos"... "os juros subiram"... "o BCE injectou mais n mil milhões nos bancos"... 

Tudo gira à volta da lógica financeira, mutável e volátil, minuto a minuto.


Para já, UE, CE, BCE, FMI, Eurogrupo, já não serão vistos como entidades competentes e responsáveis para prevenir situações críticas, para aprender com os erros, para negociar e fechar acordos.

Dito de outro modo, os cidadãos europeus perderam a ilusão sobre a capacidade das instituições europeias e internacionais de prevenir a tempo ou agir de forma rápida e eficaz em situações de emergência.


O que aprendemos quando perdemos a ilusão da protecção? Quando descobrimos que as instituições europeias e internacionais se movimentam na lógica financeira e não na economia real? A economia real que é a nossa vida concreta, a nossa sobrevivência, o nosso futuro? Isso mesmo, tentamos encontrar formas viáveis e criativas de sobrevivência.


O primeiro grande desafio: como manter a calma, a reflexão e a sensatez, em tempos de grande receio e incerteza? É que estas capacidades estão na base das melhores decisões.


Reflectir: enquanto cidadãos europeus, estamos todos na mesma plataforma instável. É nossa responsabilidade procurar um plano B, um plano C, e mesmo um plano D.

Com que recursos? Tecnologias de informação e comunicação; rapidez de raciocínio, flexibilidade e criatividade das novas gerações e a nova cultura da colaboração.


Planos B, C e D:


Plano B - é o mais difícil porque se trata de construir sobre ruínas em alguns países e regiões. Economia destruída sem substituição por outra. Classe média na pobreza. Recursos entregues a privados. Na actual situação de emergência da Grécia: pagamento ao FMI dos tais 1,7 mil milhões de euros, o equivalente a uma conta num qualquer paraíso fiscal da Europa. Como as instituições europeias e internacionais não querem ir por aí e aguarda-se o resultado do referendo, há que resolver isso por outro lado. Logo a seguir e dependendo do resultado do referendo: preparar uma fonte de financiamento alternativa, outro tipo de crédito. O mais provável é que este plano B já tenha sido iniciado pelo governo grego.


Plano C - começar a preparar desde já (e este plano já inclui os países mediterrânicos), a possibilidade da saída do euro. Esta saída já devia ter sido preparada, aliás, aos primeiros sinais do fiasco do euro. Aqui as soluções podem mesmo passar por desenhar economias não baseadas na lógica do sistema financeiro, e mesmo relativamente independentes de um sistema que só produziu desequilíbrios que já atingiram o limite do sustentável a todos os níveis.


Plano D - criar uma cultura de colaboração entre países e regiões, propondo soluções viáveis e ajudando a concretizá-las, isto é, passar da lógica das emoções reactivas à construção de novas comunidades inter-países e inter-regiões, úteis e eficazes. As novas gerações já funcionam nesta nova lógica.

 

 

 

 

 

publicado às 13:06

O programa oculto da coligação (d' A Vida na Terra, 5/06)

por Ana Gabriela A. S. Fernandes, em 05.06.15

Enquanto no futebol mundial se fervilha com a descoberta (?) da alta corrupção na FIFA, a Europa das estrelinhas começa a inclinar-se como a torre de Pisa. As cabeças visíveis que lideram o projecto europeu revelam-se simples marionetas de um outro projecto que nada tem a ver com o inicial e com aquele que apresentou nas eleições europeias.


Lá como cá, aqui fervilha-se com a mudança de treinador no Benfica e no Sporting, enquanto a coligação que gere actualmente a política nacional apresenta o seu programa eleitoral sem dizer, desta vez, o que vai fazer exactamente. É que da primeira vez ludibriou completamente os eleitores.


Os eleitores mais atentos e experientes já sabem o que a coligação vai fazer na área do trabalho e da segurança social, o núcleo digamos assim, o coração do país, porque se trata da vida das pessoas, a área mais sensível, a área que devia ser mais defendida e acarinhada, como estão a fazer os gregos mesmo na situação de encostados às cordas.


Mas não é apenas no núcleo, no coração do país, que a coligação espeta o estilete (ando a acompanhar as séries da Miss Marple e do Poirot), é nos recursos essenciais: banca, energia, comunicações postais, telecomunicações. Agora esfregam as mãos ao transporte aéreo, ao transporte urbano e à agua.


Alguém tem dúvidas sobre o programa oculto da coligação?


1. Cortes nas pensões;

2. continuação da redução do valor trabalho, isto é, trabalho precário, subemprego, formação/estágios sem perspectivas; 

3. aumento de impostos, taxas, coimas;

4. continuação da privatização dos recursos nacionais;

5. colocar a economia ao serviço da finança, isto é, os cidadãos ao serviço da dívida;

... E a lista de malfeitorias continua. 


Mas não se pense que os socialistas estão muito melhor intencionados. Também querem ir ao coração do país, isso mesmo, à segurança social.

O que fizeram eles do programa Novo Rumo?, o que fizeram eles da unidade em fundo verde e com música inspiradora e que respirava paz entre os homens de boa vontade?, o que fizeram eles de Seguro?

   

E agora? Como votar? Como confiar num projecto e num programa? Como sair desta alternância viciada?

Pois é, falta-nos um projecto novo, mas acima de tudo proposto e gerido por uma nova cultura. Uma cultura de inteligência prática, responsabilidade, colaboração.

É por isso que a minha esperança reside agora nas novas gerações.

 

 

 

 

 

publicado às 10:47


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